quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Diario Reservado

Santander Asset é mesmo um negócio dividido ao meio
Ao que tudo indica, o exdiretor do BC Demósthenes Madureira de Pinho Neto, o "Demosthinho", hoje no Conselho de
Administração do Itaú e no comando da Brasil Warrant, holding do Grupo Moreira Salles, vai se tornar uma espécie de
"interventor branco" da Santander Asset Management. Ao menos no que depender da vontade da General Atlantic e da
Warburg Capital, donas de 50% da gestora de recursos. Demósthenes é o nome que a dupla carrega no bolso do colete
para tomar as rédeas da empresa. O histórico de "Demosthinho", que nunca foi de recusar pelejas, faz dele o homem
certo no lugar certo. Para quem enfrentou a crise da liquidação do Marka e do FonteCindam, encarou uma duríssima CPI
e atravessou um longo purgatório jurídico, sem jamais fraquejar, a contenda corporativa que o espera na Santander Asset
Management é quase um passatempo. Desde o ano passado, quando General Capital e Warburg compraram metade do
capital da Santander Asset Management, o controle é compartilhado entre os norteamericanos e o próprio grupo
espanhol. Bem, no caso da subsidiária brasileira, "compartilhado" é uma força de expressão que não reflete fielmente as
circunstâncias. Os dois private equities não parecem muito dispostos a respeitar a linha divisória. Ambos vêm
interferindo cada vez mais na estratégia e na gestão da administradora de recursos. Acabou sobrando para a própria
diretora-executiva da Santander Asset Management no país, Luciane Ribeiro. Os norte - americanos não têm nada contra
a executiva - até reconhecem os bons serviços prestados por ela nos oito anos de sua gestão. Apenas querem o seu lugar.
No duelo de forças com o Santander, apear do cargo uma executiva tão identificada com os espanhóis e substitui-la por
um nome de sua predileção e confiança, como é o caso de Demósthenes Madureira de Pinho, daria à General Atlantic e à
Warburg uma inegável vantagem. O fato é que a informação provocou um rebuliço entre as partes interessadas.
Choveram respostas. Oficialmente, a Santander Asset Management negou mudanças na diretoria. Também procurado, o
próprio Demósthenes Pinho garantiu que não deixará nem o Conselho do Itaú nem a Brasil Warrant. O único silêncio
veio do Itaú, que não se pronunciou sobre o assunto.
Neste enredo, não existem bons ou maus, apenas ações e reações. Ao avançar suas tropas, General Atlantic e Warburg
estariam se aproveitando de um vácuo deixado pelo próprio Santander. Os espanhóis teriam, digamos assim, afrouxado
as rédeas no comando do asset management, um relaxamento que reforça as dúvidas em relação às suas reais intenções
para o segmento. Quando a venda de metade do controle mundial da Santander Asset Management foi fechada, surgiram
na própria imprensa espanhola especulações sobre a futura permanência do grupo no negócio, ao menos no atual modelo.

CMPC "regula" a oferta de celulose
O alto-comando da chilena CMPC discute a possibilidade de adiar para 2016 a inauguração da nova fábrica de celulose
de Guaíba, na Grande Porto Alegre - originalmente prevista para o próximo ano. A decisão seria motivada por atrasos nas
obras e, sobretudo, pelo aumento dos custos do projeto. O orçamento projetado já estaria próximo dos R$ 6 bilhões, 20%
a mais do que o valor inicial. Formalmente, a CMPC garante que a data de inauguração está mantida. No entanto, diante
das circunstâncias, cabe uma pergunta: o adiamento do projeto seria mesmo uma má notícia para a empresa? Depende
por onde se olha.
Os cínicos diriam que o atraso nas obras é mais do que conveniente para os chilenos. Aliás, não só para os chilenos, mas
para a indústria de celulose como um todo. No setor, há uma explícita aflição com os simultâneos projetos de expansão
do parque fabril nacional. Se todos os planos previstos até 2018 saírem do papel, os fabricantes brasileiros vão despejar
no mercado oito milhões de toneladas de celulose por ano. O temor é de que este aumento da oferta tenha uma
consequência desastrosa sobre os preços internacionais da commodity.

Senhorio
Saudades das Casas Bahia? Nem tanto. Michael Klein deverá faturar mais de R$ 300 milhões neste com a locação de
imóveis comerciais a grandes redes, a começar pela própria Via Varejo.

Águas passadas
No mercado, muitos se perguntam: por que cargas d´água o UBS tem comprado tantas ações da Copasa, a estatal de
saneamento de Minas Gerais? A participação do banco de investimentos suíço já teria passado dos 6%. Se o Aécio Neves
ainda estivesse vivo na corrida eleitoral, vá lá...

PepsiCo
Gatorade, H2OH, Lipton... Nada alivia o suadouro que Vasco Luce, nº 1 da divisão de bebidas da PepsiCo na América
Latina, está levando dos norte-americanos. Após um sofrível 2013, com crescimento perto de zero, Luce já conseguiu
entregar à matriz um aumento das vendas de 5% neste ano. Arrumou um problema: agora a PepsiCo quer o dobro para o
último trimestre do ano.

Cintura fina
A Previ prepara uma lipoaspiração em sua carteira de renda variável. A princípio, a cirurgia deve atingir algumas
gordurinhas localizadas, como a Kepler Weber.

Mal na foto
A Nikon adiou por tempo indeterminado o plano de instalar uma fábrica de máquinas fotográficas digitais em Manaus.
Os japoneses ajustam a lente, mexem no foco, capricham no zoom, mas nem de longe conseguem enxergar um aumento
da demanda no mercado brasileiro que justifique o investimento.

Uma das condições para que Nelson Barbosa
Uma das condições para que Nelson Barbosa venha a assumir o lugar de Guido Mantega é o afastamento de Arno
Augustin. Os dois bateram de frente por ocasião da saída de Barbosa do governo. Em tempo: Barbosa vem soltando, a
conta-gotas, para seus colegas do IBRE, o que deverá ser a nova política econômica.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Relatório Reservado

Lego e MCassab são peças que já não encaixam tão bem
De quem são os Legos que começam a se espalhar em profusão pelo Brasil? Dos herdeiros de Ole Kirk Christiansen, que
fundou a empresa há mais de 80 anos, ou do grupo paulista MCassab, representante da marca no país desde 2004? Talvez
neste momento a resposta não faça muita diferença. Mas, aos poucos, começam a surgir evidências de que a operação
brasileira da Lego é um grande brinquedo que não tardará a ser todo desmontado e logo depois reconstruído, peça por
peça, de acordo com um novo manual de instruções dos dinamarqueses. A recente abertura de um escritório próprio em
São Paulo seria um dos preparativos adotados pelo grupo para assumir o negócio no país. O mesmo raciocínio se aplica
aos planos da companhia na área de varejo. Por força de contrato, as três lojas da Lego no Brasil são administradas pela
MCassab.
No entanto, os escandinavos pretendem abrir o caixa e investir na abertura de pontos de venda nas principais capitais. E
esse talvez seja o momento em que o grupo tomará gosto por brincar sozinho no Brasil. Consultada pelo RR sobre seus
planos, a Lego limitouse a dizer que opera no país desde o início do ano, mas não se pronunciou sobre futuros projetos e
nem sobre a relação com a MCassab. Quem tenta se equilibrar sobre esta relação de encaixes e desencaixes é o executivo
Robério Esteves. Fossem as duas empresas blocos de concreto de uma mesma ponte, ele estaria rigorosamente
posicionado sobre a junta de dilatação. Esteves é metade Lego, da qual é o principal executivo no país, e metade
MCassab, na qual comanda a diretoria de operações. Sua missão é alçar o Brasil a um dos dez maiores mercados do
grupo no mundo ? por ora, a subsidiária ainda luta para se firmar no G20. Esteves já vivenciou duas fases distintas da
Lego no Brasil: de 1988 a 2003, acompanhou a empresa em seus anos de voo solo; a partir da associação com a
MCassab, passou a usar o duplo crachá. Desde então, a Lego divide com a MCassab os riscos da operação brasileira.
Nesse período, a performance no país nunca deu aos dinamarqueses a segurança necessária para assumir toda a
importação e, sobretudo, a distribuição de seus produtos, sempre a cargo do parceiro. Mas os números recentes apontam
para outra direção. Em 2013, o faturamento subiu 60% ? quem tem filhos pequenos em casa certamente não se
surpreende nem um pouco com o índice. Mas nem é preciso tanto. Um crescimento médio anual na casa dos 30% já
justificaria o redesenho do acordo com a MCassab. Neste cenário, o mais provável é que a Lego assuma a gestão dos
pontos de venda e de toda a parte comercial, cabendo aos brasileiros um papel secundário. O passo seguinte seria a
retomada da produção no país, interrompida no início dos anos 2000.

Será que Setúbal precisa de uma Pasta?
Um megaempresário que foi confraternizar com Roberto Setúbal na comemoração de 90 anos do Itaú Unibanco disse ao
RR: ?Ele seria um louco se aceitasse ser ministro da Fazenda da Marina Silva?. Pode ser. Mas seu nome continua
circulando como bala de prata. O presidente do Itaú, quando confrontado com a ideia, sai pela tangente, afirmando que o
envolvimento de Maria Alice ?Neca? Setúbal na campanha se dá ?porque ela não pertence ao banco?. Pode ser, mas ele
também não pertencerá quando se aposentar no ano que vem.
Por ter levantado a poeira, e tocar no assunto de novo, até parece que o RR torce para que o presidente do Itaú seja
ministro no governo do furacão amazônico. O que somos é realistas. Se Setúbal fosse anunciado para a Fazenda, seria um
Royal Straight Flush no mercado de capitais. E tradição não falta. Seu pai, Olavo Setúbal, foi parlamentar, governador,
ministro das Relações Exteriores e tentou de tudo quanto foi jeito chegar à Fazenda, sem realizar o desejo. O próprio
sócio de Roberto Setúbal, Pedro Moreira Salles, é um exemplo de filho de ministro da Fazenda, Walther Moreira Salles.
Mas pode ser que Roberto Setúbal ache mais eficiente mandar de fora, sem exposição e compromisso direto. Bem, deixa
para lá, é muita especulação.

Peso argentino
Número mais duro do que concreto armado que circula pela Camargo Corrêa: a Intercement, seu braço cimenteiro, deve
amargar neste ano uma queda de 30% do lucro na Argentina. Argentina? Estranho seria se fosse o contrário.

"Petromig"
Se Aécio Neves abrisse mão da sua candidatura, conforme se diz à boca pequena, ele poderia muito bem reivindicar a
presidência da Petrobras num futuro governo Marina. O destino de Aécio seria realizar uma fusão informal entre a estatal
e a Cemig. Não nos perguntem o que é isso.

Costa do Sauípe
Ganha um fim de semana na melhor suíte da Costa do Sauípe quem adivinhar o que a Previ será forçada a fazer no menos
lucrativo complexo hoteleiro do Brasil: um novo aumento de capital? Bingo!

Tecumseh
Líderes sindicais da região de São Carlos (SP) procuraram o RR, fazendo um apelo para que fosse divulgada a decisão da
Tecumseh de conceder férias coletivas. Os sindicalistas estão apavorados com o porvir. Afirmam que as vendas da
fabricante de compressores vêm caindo mês a mês. Oficialmente, a Tecumseh nega a decisão.

Cana sem açúcar
Os executivos da Abengoa Bioenergia, braço sucroalcooleiro do grupo, se sentem como trabalhadores no meio de um
canavial. Passaram os últimos meses com um facão em cada mão, até conseguir reduzir as dívidas de curto prazo da
empresa em 40%. Suados, acharam que podiam até descansar. Mas os espanhóis querem mais. ??A espanhola Talgo
avalia a instalação de uma fábrica de equipamentos ferroviários no Brasil. O grupo chegou a se candidatar à construção
do trem-bala. Mas os espanhóis não gostam nem de lembrar que, um dia, levaram esse negócio a sério.
A seguinte empresa não retornou
A seguinte empresa não retornou ou não comentou o assunto: Camargo Corrêa

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Telefónica




A espanhola Telefónica ofereceu R$ 20,1 bilhões pela GVT, unidade brasileira da francesa Vivendi, em uma estratégia para fortalecer sua liderança no mercado de telecomunicações móveis no país. A medida vem após a Vivendi, liderada pelo presidente de seu Conselho de Administração e maior acionista Vincent Bollore, dizer no fim de junho que gostaria de manter seu último ativo restante de telecomunicações, apesar de se reposicionar como uma empresa de mídia. Na véspera, rumores apontaram que a Telefónica entrou na disputa para evitar que a GVT caísse nas mãos da Telecom Italia, dona da TIM Brasil (TIMP3), que vinha estudando a compra de operadoras brasileiras há meses. Hoje, as ações da Telecom Italia caíam 5,20% na Bolsa italiana, a 0,821 euros. 
Em comunicado, a empresa francesa disse que nenhuma de suas unidades está à venda, mas que irá considerar a oferta da Telefónica na próxima reunião de seu Conselho. A Telefônica Brasil (VIVT4) disse que a oferta consiste em R$ 11,96 bilhões em pagamento em dinheiro mais novas ações de emissão da companhia representando 12% da Telefônica Brasil após a aquisição da GVT.